segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Os cinco melhores álbuns de sempre - N.º 2

2.º The Beatles – “The White Album”
Normalmente o pessoal que elabora as listas é muito pouco permissivo a mudanças. Dizem que este ou aquele é o melhor de sempre e pronto, nunca mais se muda o top 50. Existe uma enorme tendência em afirmar sempre que se pergunta qual o melhor álbum de sempre e a resposta pronta, afinada e politicamente correta é: “Sem dúvida o Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band!!!” Como se fosse um enorme sacrilégio enunciar um outro qualquer nome, que não seja Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band.” É sem dúvida um belíssimo trabalho, mas não é o melhor dos Beatles e muito menos o melhor de sempre ( a seu tempo será revelado…lolol, como se a opinião aqui do signatário fosse importante, mas continuemos…), o The White Álbum, é o décimo trabalho dos Beatles e penso que consegue incorporar de maneira perfeita o som pop agradável os Beatles e o experimentalismo. Uma manifestação absoluta de criatividade numa banda que estava a começar a saturar-se de cantar mais do mesmo. Para se reinventarem os quatro fabulosos de Liverpol, foram para a India inspirar e afastar-se da enorme pressão que tinham em terras Europeia. Tal foi a safra, que para além da lista de composições que integram o White Album, foram gravadas como DEMO, mas não fizeram parte desse álbum. Algumas delas: "Mean Mr. Mustard" e "Polythene Pam" (Ambas presentes no disco Abbey Road), "Child of Nature" que mais tarde se transformou em "Jealous Guy" do disco Imagine de John Lennon, e "What’s the New Mary Jane". "The Long and Winding Road" de McCartney presente no disco Let It Be, "Jubille" que se tornou "Junk" no primeiro LP solo de Paul McCartney, "Etcetera" de McCartney gravada por Black Dyke Mills Band como"Thingumybob", "Circles" e "Not Guilty" de George Harrison que só foi grava-la em 1982 no disco Gone Troppo, "Something" mais tarde em Abbey Road e "Sour Milk Sea" que Harrison deu a um amigo que era artista da Apple Inc. na época, Jackie Lomax, para o seu primeiro LP, Is This What You Want. Ou seja só os referidos temas que ficaram de lado, dariam para fazer um dos melhores álbuns de sempre. O que é mais fascinante no White Album é a mestria dos Beatles em conseguir manter o seu “som” mas misturando-o com o melhor que se ouvia naqueles anos. Em este álbum nota-se claramente aqui e alí saudáveis referências quer a Roling Stones. quer a Beach Boys, os tais que empreendiam retirar a coroa real aos reis da pop, conseguindo ainda a proeza de transformar o White Album na charneira entre o som da pop inocente, num registo mais complexo como que a dizer, estamos preparados para o que aí vem. Lennon disse acerca do período em que esteve na Índia a escrever este disco tempos depois: "Eu escrevi minhas melhores músicas lá." Concordo contigo amigo Lennon!




sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Madredeus - A Sombra

Já foi em 1987...

Os Cinco Melhores Álbuns de Sempre - n.º 3

3.º - Tindersticks - “Tindersticks (II)” – 1995
Tindersticks é uma banda de Nottingham, Inglaterra, criada em 1991, “capitaneada” pela distintiva voz de Stuart Staples. As suas músicas são um misto de taciturnidade e beleza embaladas por complexadamente simples arranjos musicais. Este é o álbum que todas as bandas gostariam de fazer um dia. De tal modo que se repararem bem na discografia de Tindersticks este disco é o segundo da banda a enunciar o seu nome. E porquê a banda que já tinha o primeiro disco com o seu nome achou, e bem diga-se, que seria este a fazer jus ao seu nome. Já os vi três vezes ao vivo em concertos intimistas, sem ser no meio de festivais e garanto que é uma experiência sempre a repetir, quer venham acompanhados de uma dezena de violinos violoncelos e afins, ou apenas com os instrumentos tradicionais de uma banda pop-rock. “Tindersticks (II)” é o disco perfeito para se ouvir às escuras acompanhado de um bom copo de vinho e de mais alguém que o sinta. É o único disco que conheço em que se consegue o escutar com mais alguém, sem interromper, pois cada nota ou repetição da mesma, faz parte de um desígnio maior. É como comtemplar uma obra de Miguel Ângelo, é preciso apreciar o todo, pois por mais que sejam bonitas e agradáveis cada uma das suas partes, o desígnio do todo é maior que a soma das partes. E reparem que os Tindersticks conseguem fazer esta obra-prima mesmo que usando um humor negro em cada uma das suas letras. Em resumo um álbum que cativa da primeira à última faixa e ao mesmo tempo consegue ser brilhante e calculista, negro e melodioso. Um disco que foi certamente abençoado por Deus, com “El Diablo en el Ojo”.